Direitos do Professor

A licença para tratamento de saúde do servidor: o que é e como se concede

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Resposta rápida: A licença para tratamento de saúde é o afastamento do servidor doente concedido com base em perícia oficial, e não uma falta a justificar. No modelo federal da Lei 8.112, vale a pedido ou de ofício, sem prejuízo da remuneração. Ela difere do afastamento genérico e da readaptação, em que o servidor segue trabalhando. Prazos e valor durante a licença variam conforme o estatuto do ente: os números federais não se transportam automaticamente.

Uma licença, não uma falta tolerada

Quando o adoecimento obriga o professor a parar, a primeira dúvida costuma ser prática: isso conta contra mim? A resposta começa por um ponto de vocabulário que muda tudo. Faltar é deixar de comparecer sem amparo. Licença para tratamento de saúde é outra coisa: é um instituto previsto em lei, com forma própria, que autoriza o afastamento de quem está doente e protege a remuneração enquanto durar o tratamento.

Entender esse instituto — o que ele é, quem o concede, por quanto tempo e com qual efeito no salário — é o que separa o servidor que sabe cuidar do próprio direito daquele que apenas assina o que colocam à sua frente. Este texto trata da licença em si. O caminho do papel, do atestado até a decisão da rede, está em o percurso do afastamento por doença; a diferença entre o atestado do seu médico e a perícia oficial está em quando a rede pode exigir perícia.

O que diz a lei

O desenho mais detalhado está no regime federal, na Lei 8.112, que vale para o servidor da União e serve de referência conceitual para a maioria dos estatutos municipais e estaduais. Vale ler cada dispositivo pelo que ele assegura:

O regulamento a que o art. 204 remete, no âmbito federal, é o Decreto 7.003/2009, alterado pelo Decreto 11.255/2022 — que modificou o texto anterior, sem revogá-lo. Antes de invocar qualquer detalhe procedimental do regulamento, é preciso conferir a redação atualizada dos artigos alterados.

Sobre o dinheiro, o comando central é a parte final do art. 202: sem prejuízo da remuneração. No regime federal, a licença para tratamento de saúde não é um benefício reduzido — é o vencimento do cargo, mantido enquanto o servidor está afastado tratando-se.

Licença, afastamento e readaptação não são a mesma coisa

Três palavras aparecem juntas e são frequentemente confundidas. Separá-las evita erro na hora de pedir.

A ordem importa. A licença vem primeiro, para o quadro que se espera reversível. Quando a limitação se mostra duradoura, a conversa migra para a readaptação. E só quando o servidor é insuscetível de readaptação é que a Constituição admite a aposentadoria por incapacidade permanente — o último degrau, não o primeiro. As regras dessa etapa estão em as regras da aposentadoria do professor.

Prazos administrativos: os federais não são automaticamente os seus

No modelo federal, dois números organizam o procedimento. Abaixo de 15 dias no ano, a perícia oficial pode ser dispensada (art. 204). E a licença que ultrapassa 120 dias em 12 meses, contados do primeiro dia de afastamento, deixa de depender de um perito único e passa a exigir avaliação por junta médica oficial. É nesse ponto que, na prática, se decide se o caso segue como licença, vira readaptação ou avança para a aposentadoria.

A ressalva que não pode faltar. A Lei 8.112 é o regime jurídico dos servidores civis da União. A professora de prefeitura ou de rede estadual não é regida por ela: quem responde por ela é o estatuto do seu ente. Os números federais — 15 dias, 120 dias — não se transportam automaticamente para o seu município: aqui não é automático nada. O que costuma se repetir nos estatutos é a estrutura: perícia oficial como base, licença por prazo determinado, junta médica quando o afastamento se prolonga. Os prazos e o valor pago durante a licença variam conforme a rede — é o estatuto do seu ente que decide.

Quanto se recebe durante a licença

No regime federal, a resposta é simples: tudo. O art. 202 preserva a remuneração integral do cargo. No serviço municipal e estadual, porém, a resposta varia conforme o estatuto. Vários preveem a mesma integralidade; outros preveem redução após certo prazo, ou o deslocamento para o regime previdenciário do ente depois de determinado período de afastamento. Não existe norma federal que uniformize isso para os municípios — por isso a leitura do estatuto local é obrigatória, e não uma cautela excessiva.

Na prática: uma professora que se afasta

Imagine uma professora efetiva de rede municipal com um quadro que a impede de dar aula por algumas semanas. Ela leva o atestado ao setor de pessoal e o protocola — não basta entregar na escola. Como o afastamento passa do prazo que o estatuto da rede dispensa de perícia, é marcada uma avaliação oficial, que confirma a licença por trinta dias, com remuneração mantida conforme o estatuto.

O quadro não cede como se esperava, e vêm novos períodos. Somados, os afastamentos ultrapassam o limite que aciona a junta médica. Na junta, a pergunta muda: não é mais "quantos dias", e sim "essa limitação é duradoura, e existe função compatível dentro da rede?". Repare que, até aqui, nada disso foi decisão da diretora ou da secretaria: cada passo teve base médica oficial e forma prevista. É isso que dá à professora o direito de acompanhar o processo, pedir cópia de cada laudo e questionar o que discordar.

O que separar desde o primeiro dia

Se em algum momento a discussão sair do campo administrativo e for para a Justiça, há prazos que o servidor não pode ignorar. Para a estatutária, a regra de partida é o Decreto 20.910/1932: cinco anos para as pretensões contra a Fazenda federal, estadual ou municipal. Quando o que se discute é parcela que se repete mês a mês (a remuneração cortada durante a licença, por exemplo), a Súmula 85 do STJ limita a prescrição às parcelas anteriores aos cinco anos, sem atingir o direito em si. Comece por o que acontece quando se perde o prazo e por quais documentos separar antes de entrar com a ação.

Este texto é informativo, usa o regime federal como referência de estrutura e não substitui a leitura do estatuto do seu ente por um advogado com os seus documentos na mão.

Quer conferir a lei? Está aqui.
  • Lei 8.112/1990, arts. 202 a 204licença para tratamento de saúde concedida a pedido ou de ofício, com base em perícia oficial, sem prejuízo da remuneração; dispensa de perícia abaixo de 15 dias na forma do regulamento · fonte oficial
  • Constituição, art. 37, § 13 (redação da EC 103/2019)a readaptação do servidor efetivo, mantida a remuneração do cargo de origem, é a norma nacional da mudança de função por limitação · fonte oficial
  • Decreto 11.255/2022altera o Decreto 7.003/2009, que regulamenta a licença para tratamento de saúde no regime federal · fonte oficial

Perguntas frequentes

Licença para tratamento de saúde é falta?

Não. É um instituto previsto em lei, que autoriza o afastamento de quem está doente. No modelo federal, a Lei 8.112, art. 202 a concede a pedido ou de ofício, com base em perícia, sem prejuízo da remuneração. Não é uma ausência a ser tolerada: é um direito com forma própria.

Eu recebo salário durante a licença?

No regime federal, sim: o art. 202 preserva a remuneração integral do cargo. No serviço municipal ou estadual isso varia conforme o estatuto do ente. Vários preveem a mesma integralidade; outros preveem redução após certo prazo. Não há norma federal que uniformize isso para os municípios.

Qual a diferença entre licença e readaptação?

Na licença o servidor para de trabalhar para se tratar, e a expectativa é de retorno às mesmas atribuições. Na readaptação ele continua trabalhando, mas em função compatível com uma limitação duradoura. A norma nacional da readaptação é o art. 37, § 13, da Constituição, incluído pela EC 103/2019.

Quanto tempo dura a licença?

O prazo é o que a perícia indicar, e é renovável. No modelo federal, ultrapassados 120 dias em 12 meses a avaliação passa à junta médica. Esse número é federal e não se transporta automaticamente: o prazo da sua rede está no estatuto do ente.

Equipe Direitos do Professor

Revisão editorial: João Rios. Sobre a autoria.

Este conteúdo é pra informar, não pra dar consultoria jurídica. Cada caso tem os seus detalhes; pra resolver o seu, procure um advogado.

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